terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Princípios Gerais

Ao procurar submeter-se ao que dizem as Escrituras, é importante entender que na Bíblia a autoridade é expressa de várias maneiras.
1. Uma pessoa age como quem tem autoridade, e a passagem explica se o ato é aprovado ou reprovado.
O rei Davi queria construir um templo para Deus; assim Natã lhe disse: “Vai, faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo” (2 Sm. 7:3). Natã falou em tom de autoridade a Davi o que este devia fazer, mas lemos que esse conselho foi errado e que Deus não queria que Davi edificasse o templo (v. 4-17).
2. Uma pessoa age com atitude de autoridade e a passagem não mostra aprovação nem reprovação.
Neste caso, a ação precisa ser julgada com base naquilo que o restante da Bíblia ensina sobre o assunto.
Por exemplo, Abraão e Sara vão para o Egito por causa da fome em Canaã (Gn. 12:10-20). Temeroso de que o faraó pudesse matá-lo para apossar-se da bela Sara, Abraão disse á sua esposa: “Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida”. Foi uma atitude covarde de Abraão? A passagem não o diz. Você fica entregue, para a sua conclusão, á sua compreensão daquilo que o restante da Escritura tem para dizer sobre o assunto.
Omissão – citar só a parte que lhe convém e deixar de lado o restante. Há dois tipos de morte na Bíblia, física e espiritual. Morte física é separar-se a alma do corpo. Morte espiritual é separar-se a alma de Deus. Quando Deus disse a Adão: “Certamente morrerás” (Gn. 2:17), estava se referindo á morte física e á morte espiritual. Quando a serpente disse a Eva: “È certo que não morrereis” (3:4), estava omitindo de propósito o fato da morte espiritual.
Acréscimo – dizer mais do que a Bíblia diz. Em sua conversação com Satanás, Eva cita o que Deus falou a seu marido. Mas á Palavra de Deus acrescenta a frase: “Nem tocareis nele” (Gn. 3:3). Você pode torcer a Escritura fazendo-a dizer mais do que de fato diz.
Geralmente o motivo é o desejo de tornar irracional a ordem de Deus e assim indigna de ser obedecida.
Quando você estudar a Bíblia, deixe-a falar por si mesma. Não lhe acrescente nem lhe subtraia nada. Deixe que a Bíblia seja o seu próprio comentário. Ao estudar-se um capítulo ou um parágrafo, o contexto é o primeiro lugar em que você procurará a interpretação. As referências são úteis, mas você deve tentar estabelecer a referência do pensamento do versículo, e não de uma palavra ou frase apenas.
A Bíblia interpretará a si mesma, se for estudada apropriadamente.
As suas experiências pessoais—sejam quais forem—devem ser conduzidas ás Escrituras e interpretadas. Nunca o caminho inverso. “Porque tive esta experiência, o que se segue tem de ser verdade”, não é sadio procedimento na interpretação da Bíblia.
A experiência pessoal é parte importante da vida cristã, mas você deve ter o cuidado de mantê-la em seu lugar próprio. Conquanto você aprenda da experiência, não julgará a Bíblia sobre aquela base.
As Escrituras se fundem lindamente com as experiências da vida. Quanto mais tempo você passar estudando a Bíblia, mais esta verdade se imprimirá em sua vida.
É precisamente por esta razão que você deve ter cuidado para não inverter esta regra. Permita que a Palavra de Deus interprete e amolde as suas experiências, em vez de você interpretar a Escritura a partir das suas experiências.
Quando estudarmos a Bíblia, deveremos fazê-lo com cuidado para não restringirmos esta liberdade, quer para nós, quer para os outros. Para citar os grandes teólogos puritanos do passado: “A Bíblia é a nossa única regra de fé e prática”.
Quando o Espírito Santo superintendeu o registro da Escritura, sua intenção foi que nós, que lemos as Escrituras, aprendamos e apliquemos o que elas nos ensinam. A própria Escritura afirma que esse é o propósito por ela visado.
Todas as partes da Bíblia são aplicáveis a você, todavia, a interpretação correta é essencial, antes de procurar fazer aplicação. Falhar nisso pode levar a mal-entendido e desgosto desnecessários. Tenha o cuidado de interpretar corretamente a passagem; depois, devotamente faça a aplicação.
Cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretar pessoalmente a Palavra de Deus.
Este princípio foi um dos abrangentes fundamentos da Reforma Protestante do século dezesseis. Por centenas de anos o povo dependera de que a igreja fizesse o estudo e a interpretação das Escrituras para ele. Não havia traduções da Bíblia na língua do povo. Quando se faziam tentativas para produzir essas traduções, a igreja as supria á força. Hoje existem múltiplas traduções e paráfrases ao alcance de todos, tornando fácil o acesso á Bíblia para quem quer que saiba ler.
O processo de cavar fundo na escritura e chegar á sua conclusão pessoal é o que transforma simples crenças em convicções solidamente firmadas. Envolver-se nesse processo é, não só seu direito como filho de Deus, mas também sua solene responsabilidade.
A igreja não determina o que a Bíblia ensina; a Bíblia determina o que a igreja ensina.
As interpretações da igreja têm autoridade somente na medida em que estejam em harmonia com os ensinamentos da Bíblia como um todo.
O propósito primário da Bíblia é mudar as nossas vidas, não aumentar o nosso conhecimento. Exatamente como é essencial que você interprete apropriadamente a passagem antes de aplicá-la, também é essencial interpretar apropriadamente a promessa antes de reivindicá-la.

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