sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Israel e a Nação Árabe – Entendendo a Origem

A hermenêutica temática insiste em nos surpreender com sua paixão bíblica. É bonito olhar para hermenêutica e apreciar a sua explicação bibliocêntrica a respeito dos fatos que envolvem a santa palavra de Deus. No artigo anterior, a hermenêutica nos esclareceu sobre a origem do conflito entre Israel e Palestina, impressionantemente temos no Oriente Médio uma trilogia: Israel, Palestina e Arábia. O povo árabe cultiva um constante dissabor com Israel e mais uma vez a hermenêutica lança luz na história, e retorna a tempos remotos para alumiar em nossa mente, os detalhes já revelados na palavra de Deus, aos quais, somente a hermenêutica na sua forma temática poderia elucidar.
É impossível validar-se da hermenêutica temática para compreensão de um determinado texto, sem antes, ferramentar a diacronia hermenêutica do referido texto dentro da sua historicidade. Portanto, voltemos a um tempo bastante remoto, aproximadamente 4000AC. O protagonista desta substanciosa história é Abrão, assim chamado até o dia em que Deus, dentro do seu propósito titular, mudou o seu nome para Abraão, os detalhes desta mudança, ficarão para um próximo artigo. Relembrando, Abrão recebe uma chamada convocatória de Deus narrada no livro de Gênesis capítulo 12 e parte sem rumo, pela fé, em direção a uma terra que Deus prometeu entregar a sua descendência. Essa promessa de Javé, muito incomodava o coração de Abrão e de sua esposa Sarai, que no decorrer desta história tem o seu nome mudado por Deus para Sara (A explicação dos nomes ficará a posteriori), porque o ventre de Sarai estava infrutífero.
Sarai era uma mulher estéril, não obstante a isso, ela já era avançada na idade, para que ela concebesse, o milagre teria que ser dobrado. Abrão confiou integralmente nessa promessa (Gênesis 15:4) e Deus se agradou da qualidade da fé de Abrão (Gênesis 15:6), e lançou sobre ele a promessa de que a descendência de Abrão seria como as estrelas do céu (Gênesis 15:5). A felicidade de Abrão foi inefável e permeada de certeza, porém Sarai, naquele momento estava impedida de exercer a mesma fé, não culpe Sarai por isso, afinal, uma coisa é ouvir a voz de Deus, a outra, permita-me a indelicadeza no falar, é ouvir o marido. Com o tempo Sarai amadurece na fé, e Deus muda o seu nome para Sara.
Como a promessa de Deus tinha um tempo que lhe era próprio para se cumprir, Sarai convenceu seu marido a usar de um método que era lícito na época, Sarai convenceu Abrão a deitar-se com uma das suas servas para que através dela, Abrão lhe desse um filho, o nome da escrava era Agar (Gênesis 16:1-2). Abrão concordou com a esposa, porém, esta iniciativa não estava em concordância com Deus. O majestoso dono da promessa realizaria o sobrenatural, Abrão e Sarai, ao fraquejarem na fé, optaram pelo natural e Deus desaprovou esta coisa.
O nome deste filho com a escrava Agar era Ismael, a história conta que Agar passou a desprezar Sarai o que a levou a expulsar Agar do meio do povo (Gênesis 16:4-6). Como o texto relata, Deus teceu promessas também a Ismael (Gênesis 16:11-12), afinal, ele também era filho de Abrão (Gênesis 21:13). Este Ismael filho de Abrão com a escrava é o pai da nação árabe, o que mais tarde trouxe o aborrecimento que ainda é presente no Oriente Médio. O povo árabe reclama que uma parte das terras pertence a eles, porque também são filhos de Abrão e merecedores da partilha das terras. Já o povo de Israel, não abre mão da sua preciosa propriedade, porque dizem que são filhos legítimos de Abrão e herdeiros por direito da promessa.
Os judeus são descendentes de Isaque, filho de Abraão. Os árabes são descendentes de Ismael, também filho de Abraão. Sendo Ismael filho de uma mulher escrava (Gênesis 16:1-6) e Isaque sendo o filho prometido que herdaria as promessas feitas a Abraão (Gênesis 21:1-3), obviamente haveria alguma animosidade entre os dois filhos. Como resultado das provocações de Ismael contra Isaque (Gênesis 21:9-10), Sara disse para Abraão mandar embora Agar e Ismael (Gênesis 21:11-21). Isto causou no coração de Ismael ainda mais contenda contra Isaque. Um anjo até profetizou a Agar que Ismael viveria em hostilidade contra todos os seus irmãos (Gênesis 16:11-12). O fato é que dificilmente o povo árabe irá ceder aos desejos políticos de Israel, e a recíproca é verdadeira.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Conflito no Oriente Médio – Uma Visão Hermenêutica

Acompanhando os noticiários, percebemos a constante ênfase da mídia internacional sobre a guerra no Oriente Médio. Os olhos do mundo estão voltados para esta pequena parte do planeta, que não há pouco tempo alimentam um clima hostil. Entre tantos conflitos intermináveis, nos desperta a curiosidade de entender o motivo deste desentendimento.
Todos os dias temos notícias de Israel e Palestina, a mídia, tem sempre nos informado sobre as sucessivas batalhas e conflitos existente entre estes dois povos há muito tempo. Sabemos que um dos motivos é a terra, penso ser o centro do conflito. O que ninguém explica é a origem do conflito, afinal, onde começou esta história de desentendimento e guerra? Qual foi a causa primeira que levou estes povos a cultivarem este ódio entre eles? Quem são eles? De onde surgiram? A resposta a estas perguntas estão na Bíblia, e com a ajuda da hermenêutica iremos analisar o assunto mais especificamente.
Tudo começa quando Deus separa para si um povo que lhe seja fiel, que siga os seus preceitos e estatutos e que, acima de tudo, obedeça as suas ordenanças. Em Gênesis capítulo 12, acontece o início deste povo na pessoa de Abrão, o primeiro patriarca de Israel, conhecido como o pai da fé, ao qual Deus escolhe dentre todos os homens da face da terra. O caminho da história nos leva a Moisés, homem restaurado por Deus, líder, legislador, profeta, conhecido como amigo de Deus. Por determinação do próprio Deus, após a morte de Moisés, Josué passa a liderar o povo, a esta altura, algo em torno de dois milhões de pessoas, homem temente a Deus, corajoso, líder por excelência. Tudo estava caminhando bem, Josué estava cumprindo as ordenanças do Senhor, e consequentemente, Israel recebia benção sobre benção. Mas, o coração do homem resolve por si mesmo seguir caminhos que se tornam estranhos, e Josué comete um erro que comprometeria o futuro desta nação.
A promessa de Deus feita a Abrão, que se estende a Moisés e Josué, trata-se de um pedaço de terra chamado Canaã, a famosa Terra Prometida, que hoje chamam de Terra Santa. Localiza-se nas planícies costeiras do Mediterrâneo oriental, mais tarde veio a ser chamada de Filístia, antes disso, Palestina. Palestina e Filístia são, sem dúvida, cognatos. Os hebreus estavam muito ansiosos em habitar esta terra, não obstante, foi promessa de Deus.
O problema é que ao chegarem nesta terra, ela estava habitada por vários povos, e a promessa de Deus é que Israel lutaria contra esses povos e prevaleceria. Deus concedeu a terra a eles, mas, teriam que lutar para conquistá-la. Para constar, estamos falando de uma terra com aproximadamente 150 km de cumprimento e 70 km de largura, estendendo-se mais tarde no reinado de Davi e Salomão.
Para que tudo corresse bem e para que o futuro de Israel fosse tranqüilo, Deus estabeleceu uma ordenança muito importante:

“Mas, das cidades destes povos, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nada que tem fôlego deixarás com vida; antes destruí-los-ás totalmente: aos heteus, aos amorreus, aos cananeus, aos perizeus, aos heveus, e aos jebuseus; como o Senhor teu Deus te ordenou; para que não vos ensinem a fazer conforme todas as abominações que eles fazem a seus deuses, e assim pequeis contra o Senhor vosso Deus (Dt. 20:16-18).

Analisando a história do povo durante a conquista de Canaã, iremos descobrir que as ordens do Senhor não foram cumpridas a risca (Js. 9:22-27 / 11:22 / 13:13 / 15:63 / 17:12-13). O desfecho da conquista se encontra nas palavras de Josué no capítulo 23:11-13:

“Portanto, cuidai diligentemente de amar ao Senhor vosso Deus. Porque se de algum modo vos desviardes, e vos apegardes ao resto destas nações que ainda ficam entre vós, e com elas contrairdes matrimônio, e entrardes a elas, e elas a vós, sabei com certeza que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas nações de diante de vós; porém elas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos, até que pereçais desta boa terra que o Senhor vosso Deus vos deu”.

Este resto das nações, também conhecidas como “povos do mar” são justamente o atual povo palestino, que briga pela terra alegando que já estavam lá quando os israelitas chegaram. Os filisteus (palestinos) se tornaram os maiores inimigos do povo hebreu no decorrer da história, e isso perdura até os dias atuais segundo a palavra de Deus citada acima. Quem não se lembra do gigante Golias (filisteu), que foi derrotado pelo jovem hebreu Davi. Já o povo de Israel, argumenta que a terra é deles, porque foi o Senhor Deus quem deu esta terra por promessa e herança. Dentro desta hermenêutica temática, temos o início do conflito, que infelizmente para ambos, perdura até os dias atuais.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A Dialética e a Hermenêutica

A dialética é arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias. É a técnica de perguntar, responder e refutar argumentos, visando uma melhor compreensão do assunto em questão. A dialética esta diretamente associada a hermenêutica, pois, esta fundamentada sobre questionamentos ao texto e estes devem ser exaustivos na explicação.
Para alguns, a retórica consiste em um modo esquemático de explicação da realidade que se baseia em oposições e em choques entre situações diversas ou opostas. Os elementos do esquema básico do método dialético são a tese, a antítese e a síntese. A tese é uma afirmação ou situação inicialmente dada. A antítese é uma oposição à tese. Do conflito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A síntese, então, torna-se uma nova tese, que contrasta com uma nova antítese gerando uma nova síntese, num processo em cadeia e infinito.
A hermenêutica deleita-se na dialética porque esta descreve a realidade e a reflete, portanto a dialética busca, não interpretar, mas refletir acerca da realidade. Unida a hermenêutica, a dialética objetiva discutir o assunto no seu mais elevado contexto, sem contudo interpretar, pois isso, iria ferir o príncipio básico de que o texto bíblico já esta interpretado, precisa somente ser compreendido dentro desta revelação.
A dialética esta envolvida na história das contradições do pensamento, que ela repassa ao ir da afirmação à negação. Tudo se desenvolve pela oposição dos contrários: filosofia, arte, ciência e religião são vivos devido a esta dialética. Na Grécia Antiga, a dialética era considerada a arte de argumentar no diálogo. Atualmente é considerada como o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação. Enfim, o método dialético nos incita a revermos o passado, à luz do que está acontecendo no presente, ele questiona o presente em nome do futuro.
A hermenêutica deseja compreender o texto no momento em que ele foi escrito, para transportá-lo para o momento presente, e o questionamento da dialética lançara luz sobre este entendimento. Para a dialética, as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em movimento. Tanto a dialética quanto a hermenêutica são dinâmicas, estão sempre procurando o máximo do texto. Todo movimento, transformação ou desenvolvimento, opera-se por meio das contradições ou mediante a negação de uma coisa. A hermenêutica e a dialética irão dizer não ao pensamento paradigmático e enclausuratório. A hermenêutica é livre para pensar, e expressar estes pensamentos através da dialética.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Origem da Missão e o Testemunho

É certo que o papel da hermenêutica é fundamental para o desenvolvimento de um profícuo ministério. Entender a Bíblia como ela é, aceitar que a revelação é fundamentalmente aquilo que as Escrituras dizem, é uma tarefa e tanto. Considero a hermenêutica o primeiro passo para o cumprimento da missão. A origem da Missão se encontra em Deus que executa seu Plano de salvação em Jesus Cristo. Partimos do batismo de Jesus, Ele marca uma passagem da vida oculta em Nazaré para a sua atividade missionária. No batismo, Jesus recebe o Espírito Santo para que possa dar início à sua missão (Mt. 3:13-17). Depois, numa sinagoga em Nazaré, Ele apresenta o seu programa missionário citando o profeta Isaías (Is. 40) "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a liberdade aos cativos e aos cegos a recuperação da vista..." (Lc. 4:18-20). Na sua Missão, Jesus revela um Deus cheio de compaixão e misericórdia, que ama, cuida, cura, restabelece a vida com ternura. São essas ações de Jesus que definem a sua Missão evangelizadora e transformadora. Jesus conclui sua missão entre os discípulos dizendo: "vós sereis testemunhas de tudo isso" (Lc. 24:48). Ser missionário de Jesus Cristo é a Missão dos cristãos. Portanto missionário(a) é uma pessoa que fala do amor de Jesus. Vive na fronteira da fé e derruba qualquer barreira: geográfica ou sociológica, religiosa ou humana, real ou virtual. De fato, aos olhos do Deus Criador, o mundo precisa conhecê-Lo. Pensar hermeneuticamente, é pensar em fazer missões, quer dizer, é falar do amor de Jesus, é lutar para que vidas conheçam esse Deus que tudo pode. Se a sua hermenêuica estaciona no conhecimento da palavra e não frutifica vidas, pode ser o momento de repensar o seu papel no Reino. Destaco abaixo um breve video para reflexâo do tema, não se trata de um acadêmico ou de um intelectual, nem mesmo de um grande autor com vários livros publicados. É o caso de uma jovem que entendeu a hermenêutica de missões e aplicou com voluntarismo a piedade e o amor fraternal.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Desacreditando na Fé

Quando acontece o maravilhoso milagre do encontro de uma pessoa com Jesus, percebemos quão infinito é o Poder do Criador. É simplesmente inexplicável este acontecimento, e certamente é por isso que chamamos de milagre.
A pessoa sem Deus, ao experimentar o encontro com Jesus, sente-se cercada por um amor tão incompreensível, que se torna inefável descrever a sensação. O homem procura seguir um caminho que parece lhe ser próprio, e Jesus vem ao encontro do seu coração de uma maneira tão inesperada, que tudo aquilo que parecia estar definido começa a mudar. Isto faz-nos lembrar de Saulo de Tarso a caminho de Damasco.
Uma vida com Jesus realmente é outra coisa. Mas, o que é perturbador e estonteante, é testemunhar o drama humano que por motivos existenciais, faz com que muitos desacreditem na fé depois de um tempo. São pessoas que participaram de algo real, viveram a fé, suportaram aflições e se esforçaram de verdade para que tudo acontecesse conforme a santa palavra de Deus. Então... O que aconteceu? Por que desfaleceram? Para onde foi o entusiasmo? O Evangelho de Jesus é belo e continuam sabendo disso, mas já não vivem mais esta verdade na prática, virou história, literalmente estão desacreditando na fé.
Quando separamos um pouco do nosso tão “concorrido tempo”, para investir ouvidos em alguém que se encaixe neste perfil, não causa estranheza perceber que a história normalmente é a mesma: “Decepções com pessoas, líderes, irmãos. Pessoas que foram enganadas, desacreditadas, insultadas e caracteristicamente magoadas. Os personagens são diferentes, a geografia variada, mas a história cai na ironia da redundância. A frustração com os homens faz com que se desacredite na fé, e, uma vez isso feito, parece que tudo vira uma mentira.
Parece-me que o centro de todo o problema esta na falta da hermenêutica bíblica. Na hermenêutica é onde tudo começa, é o princípio de um aprendizado sadio e durador. Deus já soou o alerta que o homem erra por desconhecer as Escrituras. Ora, compreendendo os textos da Bíblia não há engano, na ausência do engano não há frustração com a fé, apenas com o homem, não obstante, já era de se esperar. Pensar hermeneuticamente significa pensar de acordo com a palavra de Deus, fundamentado naquilo que esta escrito, somente nas palavras da Bíblia.
Reestruture a sua fé, se volte para as Escrituras, exercite a sua fé nas palavras de Jesus. Coisa boa é desfrutar da hermenêutica, quer dizer, do texto da Bíblia e aprender com ele. Fundamentando a fé desta maneira, jamais haverá incredulidade, jamais a fé será desacreditada. Lutero lançou esta tese: “Somente as Escrituras”, Calvino insistiu: “Somente as Escrituras se explicam”. Considere a fé e volte para o amor de Deus que esta em Jesus. Lembre-se: “Há esperança para a árvore”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Maldição Hereditária, Uma Análise Hermenêutica

Deus propõe a respeito da Bíblia uma revelação progressiva Dele mesmo. Ele começa se revelando no Éden e aos poucos vai completando sua revelação, até chegar a Cristo que é o ápice da revelação de Deus. Além de Cristo não há revelação. Dentre as dificuldades de compreensão desta revelação progressiva, deparamo-nos com a controvertida “maldição hereditária”.
É comum nos dias atuais, a aplicação por diversas igrejas e crenças deste suposto método de libertação. O pensamento é que os pecados dos ancestrais estão sobre as futuras gerações e seria necessário, portanto, a quebra destas maldições hereditárias. O texto base para apologia deste pensamento encontra-se na Torá. Analisemos os textos abaixo e a luz da hermenêutica diacrônica vamos entender este assunto.

Êxodo 20:5-6 - (5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. 6 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos).

Êxodo 34:6-7 (6 Tendo o Senhor passado perante Moisés, proclamou: Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; 7 que usa de beneficência com milhares; que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado; que de maneira alguma terá por inocente o culpado; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração).

Números 14:18 (18 O Senhor é tardio em irar-se, e grande em misericórdia; perdoa a iniqüidade e a transgressão; ao culpado não tem por inocente, mas visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração).

Deuteronômio 5:9-10 (9 não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, 10 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos).

Observe bem estes textos, em todos eles Deus declara que visita a iniquidade dos pais nos filhos. Em Ex. 20:5-6 e Dt. 5:9-10, Deus declara que esta maldição é para aqueles que o “odeiam”. Em Ex. 34:6-7 e Nm. 14:18, Deus declara a sua misericórdia e que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado. O nosso Deus não mudou, a misericórdia do Deus do NT é a mesma do AT. Havendo arrependimento no coração do homem, Deus libera o perdão, liberando o perdão, tudo esta cancelado... Na verdade, sempre foi assim.
Antes de continuarmos na progressão da revelação sobre este assunto, o que chamo de hermenêutica diacrônica, vamos refletir sobre duas questões inseridas nestes textos. A primeira é o fato do decreto de Deus estar diretamente e especificamente ligado na iniqüidade da idolatria. O segundo é a descrição precisa “daqueles que me odeiam”. Certamente o povo de Deus do tempo da Torá, não compreendeu estes adendos de Deus ao decreto e para resolver este problema de entendimento ele esclarece o assunto revelando a interpretação mais precisa como segue:

Dt. 24.16 Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu próprio pecado.

O livro de Deuteronômio não é apenas a repetição da Lei como muitos afirmam, este livro cuida de interpretar os quatro primeiros livros da Torá com mais exatidão, é o próprio Deus lançando luz na revelação. Por que Deus escreveria outro livro repetindo as mesmas coisas? Deuteronômio é o intérprete da Torá. O texto é claro, é direto, é esclarecedor, no entanto, o povo daquela época ainda não absorveu o entendimento da revelação que já progrediu. Tudo bem, Deus entende a estrutura frágil do homem e esclarece mais uma vez.

Jeremias 31:29-34 (29 Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram. 30 Pelo contrário, cada um morrerá pela sua própria iniqüidade; de todo homem que comer uvas verdes, é que os dentes se embotarão. 31 Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, 32 não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para tirá-los da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. 33 Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34 E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.

Como é possível observar Deus anuncia o renovo do seu decreto, Deus esclarece agora com detalhes completos a sua revelação da Lei, Ele termina dizendo: "não me lembrarei mais dos seus pecados". Ora, sem pecado, não há maldição. Será que podemos agora descansar do nosso estudo? Parece que não, o povo ainda encontrou uma dificuldade para entender, mas, o nosso Deus é muito paciente e bondoso e cheio de misericórdia, depois de um tempo, Ele esclarece mais uma vez.

Ezequiel 18:1-4 (1 De novo veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 2 Que quereis vós dizer, citando na terra de Israel este provérbio: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? 3 Vivo eu, diz e Senhor Deus, não se vos permite mais usar deste provérbio em Israel. 4 Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá).

O povo de Deus já havia criado um provérbio popular para esta situação bíblica, comparando o pecado dos pais a uvas verdes. Deus ordena que cesse imediatamente e para sempre este provérbio, nada mais justo, afinal, este provérbio não nasceu de Deus. Na revelação progressiva de Deus ao homem, Deus estabelece uma progressão na Lei, Ele esclarece sistemáticamente que somente o pecador morrerá, a maldição de pai para filho foi cancelada em toda e qualquer possibilidade. Bom, encerramos o assunto no AT e certamente o povo de Deus entendeu concorda? Vamos conferir se fato ocorre assim num episódio do NT.

João 9.1-2 (1 E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. 2 Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?).

Talvez, você esteja pensando: Não é possível que este povo depois de todos estes esclarecimentos bíblicos não tenham ainda entendido este assunto. Caro leitor, deixo-lhes uma pergunta: E hoje? Finalmente a criação entendeu a revelação do Criador? Tudo nos leva a crer que não. Infelizmente a falta de entendimento na revelação de Deus sobre este assunto ainda é grande, vamos esclarecer algumas situações.
O reflexo da conduta dos pais nos filhos é um dos equívocos compartilhado por muitos líderes religiosos. Os pais oferecem uma base de educação aos seus filhos, que em muitos casos, não seguem um padrão moral aceitável, e, os filhos convivendo com tal ensinamento, crescem na prática de certos conceitos, não obstante ensinados por seus pais, o que para eles torna-se totalmente normal. Em tais casos não há um problema de maldição hereditária, mas de sociabilização familiar, onde o proibido torna-se status. Basta que alguém conviva ao lado de pessoas que usem de torpeza, para que em pouco tempo esteja no mesmo mau hábito. A sociedade influencia o indivíduo e de certa forma o molda. A Bíblia já alerta: “Não vos enganeis, as más conversações corrompem os bons costumes." (1 Coríntios 15:33).
A confusão sobre os problemas genéticos também são enormes, muitas vezes o pai tem um problema e o filho geneticamente também o herda. Pronto, a conclusão do desfecho será: “Maldição hereditária”. Problemas genéticos não são maldições, a impropriedade teológica dos eisegéticos descolorem a hermenêutica, ferem a exegese e levam ao tropeço os pequeninos. Cristo levou sobre si as maldições, o homem com Cristo esta liberto e não há mais condenação sobre ele, as coisas antes de Cristo ficaram para trás, o tempo da ignorância foi perdoado, nada poderá separar o homem do amor de Deus, quando Deus age ninguém pode impedir, certamente maior é aquele que esta em nós e nele podemos tudo. Devemos estar preparados para dar razão da nossa fé, não baseados em fábulas de velhas caducas, mas na santa e bendita palavra de Deus.

A Hermenêutica e as Interpretações

Vivemos em um país que nos cede uma liberdade quase que completa. É permitido a qualquer um de nós, ir e vir para onde desejarmos, sem que isso nos custe a liberdade. O Brasil é um país maravilhoso para se viver e a sua beleza simplesmente deslumbrante. Dentro deste todo, o Brasil desenvolveu uma espécie de manual, onde os seus patriotas devem ou deveriam se adaptar. A este manual deu-se o nome de Constituição. Esta Constituição (que é a lei máxima de um país) nos garante o maravilhoso privilégio de gozar da mais “absoluta” liberdade, como por exemplo, exercer a religião que se desejar. Não há proibições, você poderá seguir aquela em que entender ser melhor para sua vida.
Dentre tantas que existem, e acreditem são muitas, temos os evangélicos, chamados assim, porque anunciam seguir o evangelho de Jesus, o Filho de Deus. O fator supostamente paradoxal, é que dentro deste também livre modo de pensar e se expressar, existem as diferenças de pensamento em relação a um ou outro ponto do mesmo evangelho. São contradições dentro da mesma religião, registre-se aqui que a essência é a mesma em qualquer ramificação desta religião, quer dizer, "Jesus Cristo é o Senhor". As divergências encontram-se na "forma", entendendo alguns, que há uma "forma" correta de adorar a Cristo, e evidentemente as opiniões divergem em qual seria a mais próxima da verdade.
Para solucionar este episódio desta religião, surgiu o seguinte jargão: “Depende da interpretação de cada um”. Caro leitor, quero chamar a atenção para um fato, que para muitos é inédito, talvez seja o seu caso. A palavra de Deus não tem várias interpretações, Ela não se adapta aos desejos da “forma”. Como essência, a santa palavra de Deus retém uma única interpretação. Os textos da Bíblia querem dizer exatamente aquilo que estão dizendo, não existem duas maneiras de entender a Bíblia, digo isso como quem crê que todos são, ou estão amadurecidos no entendimento. As discussões interpretativas são válidas, porém, não o conhecimento ou interpretação própria, como já disse em outro artigo: “Como poderia o homem contaminado pelo mal, extrair de si mesmo o que é bom?” A Bíblia lança de dentro para fora (Exegese) o que é bom e único, e isso deveria bastar.
As várias interpretações existem, porque o texto (como ele é) não esta recebendo a devida atenção... Reforço... A interpretação da santa palavra é única, não existem várias, nem mesmo duas. O que podemos fazer? Como lidar com isso? Entendendo que o papel do hermeneuta, intérprete, exegeta, teólogo, estudioso ou curioso, é o de procurar com muito zelo entender a interpretação que a Bíblia já fez de si mesma. Não há possibilidade de interpretar aquilo que já está interpretado. A interpretação da revelação já esta concluída, compete a nós, os estudiosos, esforçarmos para com toda piedade, compreende-la. Lembrando que o conhecimento sem piedade é arrogância e soberba. Deixemos, portanto, a Bíblia falar, para que ela nos conte tudo, esclareça-nos. Parafraseando o conselho de Tiago: “vamos falar menos e ouvir mais”. Será salutar para a nossa fé e nos aliviará no dia do juízo. Nas palavras emprestadas de Lutero: "Sola Scriptura".

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Midrash

Midrash é uma forma narrativa criada por volta do século I a.C. na Palestina pelo povo judeu. Esta forma narrativa desenvolveu-se através da tradição oral, até ter a sua primeira compilação apenas por volta do ano 500 d.C. no livro Midrash Rabbah.
A palavra Midrash vem da junção de duas palavras hebraicas "Mi" que significa "quem" e "Darash" que significa "pergunta", o significado prático é investigar ou averiguar. O plural de midrash é midrashim segundo a língua hebraica.
Midrash pode significar tanto um tipo de literatura quanto uma forma de interpretação da literatura bíblica. Era o método usado por alguns escribas para chegarem ao sentido de uma passagem da Torá. Midrash é um método de interpretação rabínica, um método exegético. O Midrash é a principal fonte para estudarmos a exegese rabínica.

A Mishná

A Mishná, é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral. Provém de um debate entre os anos 70 e 200 da Era Comum, por um grupo de sábios rabínicos conhecidos como "Tanaim" e redigida por volta do ano 200 pelo Rabino Judá HaNasi.
A razão da sua transcrição deveu-se, de acordo com o Talmude, à perseguição dos judeus às mãos dos romanos e à passagem do tempo trouxeram a possibilidade que os detalhes das tradições orais fossem esquecidos. As tradições orais que são objecto da Mishná datam do tempo do judaísmo farisaico. A Mishná não reclama ser o desenvolvimento de novas leis, mas meramente a recolecção de tradições existentes.
A Mishná é considerada a primeira obra importante do judaísmo rabínico e é uma fonte central do pensamento judaico posterior.

Torá Oral

Segundo a tradição judaica rabínica, a Torá escrita foi entregue por Deus para Moisés no Monte Sinai, em conjunto com a Torá Oral, que seria o conjunto de ensinamentos e especificações de como cumprir os mandamentos da Torá escrita e que, originalmente, foram transmitidos de maneira oral de geração a geração, através dos sábios do povo no correr de mais de 3 300 anos e finalmente compiladas na Mishná e no Midrash no ano de 200 da Era comum. De acordo com o pensamento rabínico, não é possível estudar a Torá escrita sem antes estudar a Torá oral.
Os judeus caraítas e os judeus samaritanos, naturais da Síria e Palestina, recusam a Torá oral e aceitam apenas os escritos da Torá como revelação divina. Os cristãos oficialmente também não aceitam a Torá oral, apesar de muitas tradições cristãs estarem baseadas na Torá oral falada na época de Cristo.

A Hermenêutica e as Notas de Rodapé

Hoje temos a nossa disposição várias versões da preciosa e sagrada palavra de Deus. O número é tão expressivo, que nos perdemos diante de tantas traduções diferentes e inovadoras, evidentemente, todas objetivando ajudar no esclarecimento dos termos e palavras obscuras. As Bíblias de estudo, são um sonho de consumo de muitas pessoas, principalmente dos seminaristas e obreiros da Igreja de Jesus. Que bom que hoje é assim, o agir do Espírito Santo na vida de muitos homens consagrados e piedosos, tornou possível este momento que vivemos. No entanto, gostaria de compartilhar com os amantes da hermenêutica um sério problema, trata-se da Bíblia de estudo, em qualquer versão ou tamanho, pois este tipo de Bíblia antagoniza a hermenêutica.
O princípio hermenêutico esclarece que somente a Bíblia explica a Bíblia, princípio este levado muito a sério por João Calvino, um dos principais reformadores. Não obstante, a Bíblia de estudo contém vários comentários do texto, são as chamadas notas de rodapé. É importante lembrar-mo-nos, que as notas de rodapé não são inspiradas, embora foram escritas por homens eruditos e sábios. Inspirado, somente o texto da palavra de Deus.
Nesta perspectiva, desejo alicerçar a hermenêutica do texto no texto, e não nas notas de rodapé. Para realizar uma boa hermenêutica, necessário será usar uma Bíblia texto, somente texto, nada de notas ou comentários. Somente você e a palavra de Deus, as notas de rodapé, são opiniões de outros estudiosos, onde não há garantia da legitimidade da suposta interpretação, por isso, faça a sua própria hermenêutica. Confie nas ferramentas da hermenêutica. Deixe a consulta da notas para última estância, quando você tiver esgotado todas as possibilidades: as regras, os fundamentos, os princípios hermenêuticos. Quando isso acontecer, e só depois, de uma olhadinha nas notas, porém, não tome partido delas, elas podem divergir entre si. Nunca esqueça, as notas de rodapé não são inspiradas.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Estudo Hermenêutico da Bíblia

O estudo da Bíblia é uma atividade intelectual, e para ter efeito é preciso que o aprendizado seja aplicado. Ora, é impossível exercer o estudo da Bíblia sem que haja leitura contínua, e a correta aplicação, acontecerá diante de uma eficiente hermenêutica. Por isso, uma sincera motivação é muito importante e fundamental para compreensão do texto. É necessário fazer um estudo pessoal da Bíblia, entendendo que o próprio Deus está falando, e esta compreensão acontece quando as regras hermenêuticas são respeitadas, não obstante, a Bíblia é a Palavra de Deus, e não é mister colocá-la de uma maneira que contradiga o que ela diz. A Bíblia é a autoridade máxima. O propósito deverá sempre ser o de entender a palavra de Deus da maneira em que ela foi escrita, sem aumentar, sem diminuir, sem adornos, apenas Bíblia, ela é suficiente e não precisa de advogados para defendê-la com palavras que não lhe são próprias.
Martinho Lutero, entre outros reformadores (João Calvino, Erasmo de Roterdã, John Wyclif, William Tyndale), lutaram bravamente para que todos tivessem acesso a Bíblia, houve um tempo em que a hermenêutica e a exegese, sofreram uma desonesta pressão a ponto de serem submetidas aos dogmas, portanto, a cada momento em que a Bíblia for aberta, lida e estudada, lembre-se da razão por que Deus nos deu este Livro: "Entendê-lo como ele foi escrito”. É por meio da leitura da Palavra de Deus que seremos confrontados com a necessidade de compreender, de absorver e praticar a santa palavra. Resultado inefável e certo, que se realizará diante da correta hermenêutica. O interesse de conhecer a Bíblia será cada vez maior, porque a hermenêutica lançara a compreensão do texto e consequentemente da Bíblia, e ler com entendimento, é outra coisa, é coisa melhor.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A Hermenêutica e a Gramática


Sempre que um texto da palavra de Deus é lido ou analisado, há um despertamento no leitor a fim de que possa entendê-lo hermeneuticamente. Habita uma necessidade interpretativa em cada leitor, ainda que ele não conheça bem este termo técnico e suas implicações teológicas, ele almeja entender a interpretação do texto lido ou analisado. No entanto, a gramática é uma regra na arte da compreensão da interpretação de um texto, indispensável para um proveitoso entendimento da santa palavra de Deus. O anseio pela compreensão do texto cria uma espécie de ansiedade a respeito do significado e finalmente da interpretação, não obstante, devemos procurar entender o texto primeiramente na sua gramática, e a posteriori, esforce-mo-nos para entendê-lo hermeneuticamente.
Tornar-se-á um grande erro, se empenhar, ainda que sinceramente, para entender um texto da Bíblia de forma hermenêutica, sem antes procurar entender as palavras que estão envolvidas na elaboração do texto. Palavras como: glória, aleluia, hosana, pústula, concupiscência, engodo, entre outras, precisam ser esclarecidas antes da compreensão interpretativa da palavra de Deus. Afinal, como entender o texto, se as palavras inseridas nele, não puderem ser entendidas? A priori, é mister entender a gramática do texto, depois buscar entendê-la hermeneuticamente. É necessário, portanto, ter sempre a mão, um dicionário bíblico e fundamentalmente, um dicionário da língua portuguesa. Sem a compreensão da gramática, jamais acertaremos a hermenêutica do texto.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Exegese x Hermenêutica

Em quase tudo que se lê sobre interpretação de texto, se fala de exegese. Termo obrigatória em todo assunto relacionado a hermenêutica. Todos os livros que tratam sobre interpretação de texto, falam também da exegese e da sua relevância para uma perfeita compreensão do texto. Tudo isso é verdadeiro e salutar para o entendimento da santa palavra, o problema é que os autores destes livros, não explicam o que é exegese. Até mesmo docentes que tratam o assunto e o levam para sala de aula, não explicam devidamente o significado da exegese. Esta é uma das maiores dúvidas que circundam o assunto, então, vamos a explicação.
A exegese tem como objetivo tirar as cortinas que estão sobre um texto específico, fazendo uso das línguas vernáculas para dar clareza a interpretação que já esta na Bíblia. A exegese deseja analisar uma determinada palavra inserida em um texto específico e ir no mais profundo do seu significado. Difere-se da hermenêutica, porque esta intenciona conhecer o texto em parâmetros gerais. A hermenêutica poderá surgir da exegese, uma vez que, os princípios gerais exegéticos aplicados ao texto, serão desenvolvidos pelas ferramentas da hermenêutica. Por isso uma exegese errada (eisegese), levará o hermeneuta a uma falácia hermenêutica.
A exegese analisa um texto específico, já a hermenêutica analisa um texto dentro dos seus aspectos gerais. A exegese quer entender somente aquele texto: versículo, frase ou palavra. A hermenêutica quer saber o que toda a Bíblia fala sobre aquele texto: o contexto, o livro, a história, o momento político, social, econômico, cultural, etc.

sábado, 10 de janeiro de 2009

As Interpretações e a Bíblia

As discussões têm aumentado muito nos últimos tempos sobre a interpretação da Bíblia. É comum nos nossos dias, ouvirmos várias interpretações diferentes sobre o mesmo texto ou tema. Os "intérpretes", como assim gostam de ser chamados, tem alimentado uma grande discussão sobre o entendimento dos textos da santa palavra de Deus. Ao lermos livros que falam sobre o mesmo assunto, é comum percebermos a diferença de visão sobre um determinado texto da Bíblia e conseqüentemente, interpretações distantes e improvisadas. As falácias exegéticas são constantes e as opiniões se dividem.
Isso acontece por um motivo, infelizmente muito comum, ao qual faço questão de combater. Os denominados "intérpretes", insistem em analisar o texto da santa palavra, e, baseados em seus próprios pressupostos e paradigmas, argumentar que a Bíblia esta dizendo isso ou aquilo, essas conclusões são tiradas porque estes homens anseiam em dar a palavra uma "nova interpretação", que segundo a sua hermenêutica, seria isso ou aquilo.
Bem, sinto decepcionar tais "intérpretes", mas a santa palavra de Deus tem interpretação própria e única, é isso mesmo, somente a Bíblia pode ser a sua intérprete e ela já esta interpretada, não há nada na palavra de Deus que precise do auxílio do homem para que tudo se esclareça. A Bíblia já esta interpretada e esta interpretação é única. Para compreendê-la é preciso conhecer e saber aplicar as regras e fundamentos da hermenêutica e buscar a iluminação do Espírito Santo. Não obstante a sinceridade no coração de cada um, entender a Bíblia é outra coisa, requer humildade e piedade. Que Deus nos ajude.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Papel do Hermeneuta

No coração do homem habita um desesperado desejo de interpretar os textos da Bíblia. Na impossibilidade de compreender a sua pequenez e inexatidão, ele, o homem, insiste na redundante retórica de proclamar a sua minúscula visão, do que a santa palavra de Deus esta dizendo ao homem moderno e contemporâneo. Surge então o intérprete da palavra de Deus. Dentro de uma concepção analítica hermenêutica, encontraremos o chamado intérprete, não como um conquistador exegético, mas, como alguém que compreendendo bem os métodos de estudo da hermenêutica, submete-se a Bíblia e por consequência a fundamental regra hermenêutica, entregando-se finalmente a certeza de que o único intérprete da Bíblia é a própria Bíblia.
Qual então é o papel do hermeneuta? Qual a sua contribuição no mundo acadêmico? Tornar-se dispensável. É mister que o hermeneuta conduza o ensino de uma maneira tão maravilhosamente clara e simples, que até mesmo uma criança possa entender. Não obstante, o papel do hermeneuta condiciona como presuposto, o quarto fundamento da hermenêutica.
O homem é incapaz de interpretar as Escrituras, somente a própria Escritura pode cumprir este papel, e, a iluminação do Espírito Santo, contemplará ao homem, o entendimento desta interpretação. Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Fenômeno do Distanciamento

Quase 1500 anos para compilação, escrita por mais de 40 autores em diferentes épocas, línguas e lugares. A distância do texto bíblico para conosco é muito expressivo, chamamos este fenômeno de "distanciameto". Este distanciamento, acontece em diversas áreas.

Distanciamento Temporal – A Bíblia esta séculos distante de nós.
Distanciamento Contextual – Os livros da Bíblia foram escritos para atender situações que se perderam no passado distante.
Distanciamento Cultural – O mundo dos hagiográfos já não existe.
Distanciamento Linguístico – As línguas que a Bíblia foi escrita já não existem.
Distanciamento Autoral – Os autores da Bíblia estão mortos.
Distanciamento Natural – As condições humanas impõem limites à nossa capacidade de entender e compreender as coisas de Deus.
Distanciamento Espiritual – O pecado no homem estende os limites.
Distanciamento Moral – É o abismo entre os intérpretes pecadores e egoístas e a santa palavra que pretendem esclarecer.