domingo, 23 de agosto de 2009

Beleza

Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. (Eclesiastes. 1:2)

Hermenêutica Fundamental

A hermenêutica presta-se a formular regras gerais de interpretação de textos bíblicos. Deve-se observar, entretanto, que tipos diferentes de literatura bíblica requerem metodologias específicas para cada um deles. Isto sugere que os métodos que se empregam na interpretação das parábolas serão diferentes daqueles que se empregam na interpretação da poesia hebraica ou numa parte das epístolas de Paulo.

A análise do texto de Atos é uma análise diferente dos outros livros da Bíblia. Não se trata apenas de um livro histórico, mas do relato de uma nova história. Os poucos princípios gerais que podem ser universalmente aplicados a todos os tipos de literatura bíblica tendem a ser tão básicos que ficam óbvios, por exemplo: a necessidade de prestar atenção ao contexto lingüístico, á situação histórica, ao gênero literário e ao propósito do autor. Como por exemplo, é o caso da queda.

A hermenêutica como disciplina teológica continua árdua e espinhosa. Todos os docentes e alunos que se prestam a essa íngreme e escarpa trilha precisam a todo tempo de auxílios exegéticos dos mais substânciais, e que perfilem sobre a moderna e clássica literatura auxiliar a interpretação bíblica. Na falta de saber qual é o caminho, caminhar por trilhas seguras ainda continua sendo a melhor forma de se seguir á frente.

A hermenêutica bíblica pretende libertar o homem para a verdade. Santo Agostinho chamou de confissões esta libertação para verdade. Confessar tem nas Confissões o sentido positivo do evento pascal, de proclamar a grandeza, de engrandecer a libertação dos homens pela verdade de Deus. Esta realização libertadora da verdade, Santo Agostinho chama de vida do espirito. Trata-se de uma caminhada que não acontece somente dentro do homem, mas também diante dos homens.

O papel da hermenêutica, sempre será, independente das notáveis contribuições de diversos pensadores, focar que todas as interpretações das Sagradas Escrituras devem estar firmadas em pilares críticos interpretativos confiáveis. Devem-se justificá-las através de métodos e técnicas hermenêuticas livres de quaisquer premissas dogmáticas ou pressupostos individuais. O texto pelo texto ainda continua sendo um dos melhores métodos para se interpretar as Escrituras.

O texto que envolve o apóstolo Paulo em Atos 26:16, propõe liberdade, Paulo pensava ser livre, mas Deus mostrou que Paulo não era livre. Para tal revelação Deus se apresenta de forma pessoal, embora metafísica. Neste sentido de socialidade e fraternidade, confessar aos homens a libertação do homem em si mesmo é praticar obra de caridade, pois colabora na libertação deles, e os anima a realizar sua verdade em Deus. Só alcança o fundo de si mesmo, só conhece as profundezas da existência quem deixa tudo, aquele para quem tudo desapareceu e se viu a sós com a verdade.

O contexto que envolve o referido texto, não obstante, tratará de explicar o ocorrido com o apóstolo. A lei do contexto é uma das primeiras leis que regem a interpretação. Muitas interpretações errôneas têm sua origem na desconsideração desta norma tão óbvia. Aplicados a documentos escritos, expressa a conexão de pensamento que existe entre diferentes partes para fazer dela um todo coerente. Assim, contexto é o nexo recíproco dos vários elementos duma oração, sejam próximos (contexto imediato), sejam distantes (contexto remoto).

Num texto, ou numa seqüência de textos, o contexto é constituído pela seqüência de parágrafos ou blocos que precedem e seguem imediatamente o texto, e que podem, de uma forma ou de outra, fazer pesar sobre o texto certas coerções. Desconsiderar o contexto acarreta interpretações falsas, além de se constituir numa eisegese.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Profeta Amós e a Religiosidade

Afrontar a religiosidade dentro e fora dos templos é tarefa imperativa para hermenêutica. Recordemos um pouco o caso do profeta Amós. O profeta Amós localiza bem o período de sua mensagem, indicando o reinado de Uzias em Judá e Jeroboão II em Israel. De acordo com o relato do segundo livro dos Reis, Uzias começou a reinar no ano 27 de Jeroboão. Jeroboão reinou 41 anos. Amós viveu num período de grande riqueza e, ao mesmo tempo imoralidade. Jeroboão conseguira restaurar as fronteiras do reino do norte; havia riqueza e abundância no seu reino, resultantes dos despojos de guerra e de negócios vantajosos feitos com Damasco e com principados ao norte e ao nordeste. Contudo, juntamente com a prosperidade, da qual a classe baixa não participou em nada, havia um materialismo dominante, caracterizando-se pela exploração dos pobres e imoralidade, tentando aplacar a ira de Deus com cerimoniais vazios.

A mensagem de Deus através do profeta é destinada mais especificamente ao reino do norte, com capital em Samaria, comumente chamado de Israel. Ela foi proferida pelo menos dois anos antes da sua redenção; agora, após o terremoto predito, ele relembra o que aconteceu e mostra o que ainda está por vir. O seu Livro foi escrito por volta do ano 760-755 a.C. A sua mensagem é um lamento pela situação do povo. A métrica utilizada em seu registro, própria dos cantos fúnebres, testemunha a tristeza do poeta diante da mensagem que leva ao povo. Amós era um homem simples, do campo, cuidava de bois e colhia sicômoros. Vivia em Tecoa, que ficava a 10 km ao sul de Belém, sendo uma região de pastoreio, privilegiada por montanhas com uma altitude de 850 metros.

Deus está profundamente aborrecido com o seu povo eleito; por isso o disciplinaria. Amós descreve de forma vívida a situação de Judá e, principalmente de Israel. O ponto capital da questão estava no fato de que eles rejeitaram a lei de Deus e não guardaram os seus estatutos; portanto não agiam retamente; transformaram a mensagem de Deus em algo amargo, atirando-a ao chão: “... rejeitaram a lei do Senhor, e não guardaram os seus estatutos, antes as suas próprias mentiras os enganaram, e após elas andaram seus pais”... “Israel não sabe fazer o que é reto, diz o Senhor, e entesoura nos seus castelos a violência e a devastação” (Am. 3.10). Como resultado da desobediência à lei de Deus, todas as relações estão transtornadas, marcadas pelo domínio do pecado.

Aqui, vem o ponto capital. Não queriam ouvir a Palavra de Deus; para tanto procuravam corromper os mensageiros de Deus. A mensagem profética era entendida como conspiração. O trágico de tudo isso, é que a mensagem que eles não queriam ouvir era justamente a que poderia salvá-los, porque Deus lhes falava através do profeta; no entanto, eles não queriam que este profetizasse: “Certamente o Senhor Deus não fará cousa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am. 3.7). “Aborreceis na porta ao que vos repreende, e abominais o que lhe fala sinceramente” (Am. 5.10).

Amós, fiel ao seu chamado, testemunha contra a tentativa do povo em silenciá-lo: “Mas o Senhor me tirou de após o gado, e me disse: Vai e profetiza ao meu povo Israel. Ora, pois, ouve a Palavra do Senhor: Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de lsaque” (Am. 7.15-16 / Am. 2.12).

Enquanto o povo não ouvia o profeta, alimentava-se de mentiras. Deus aponta para a insensibilidade espiritual do povo em se converter a ele. (Do mesmo modo Ageu 1.9-11). Deus diz que puniria o seu povo; o abandonaria. Ele não era subornável mediante cultos mecânicos que não alteravam em nada o seu comportamento; o povo apenas gostava do ritual.

O ritualismo vazio pode ser ilustrado na vida de Israel. Os povos costumam ter seus lugares sagrados, marcos de grandes acontecimentos ou da existência de grandes personagens. Para lá se dirigem objetivando prestar seu culto ou mesmo buscar inspiração. O povo de Israel também tinha esta prática; o livro de Amós nos fala de três lugares:

a) Betel: Jacó teve uma visão de Deus e conclui dizendo que Deus estava naquele lugar. Aqui, Jacó saiu com uma nova perspectiva de vida amparada na promessa de Deus. Mais tarde, Jacó foi a Betel lembrando-se de que Deus se revelara a ele anteriormente e agora, teve uma nova experiência; Deus lhe falara, mudou seu nome; ele já não mais se chamaria Jacó, mas Israel. Betel significava a presença de Deus e o seu poder renovador.

b) Gilgal: Josué erigiu um monumento com doze pedras após atravessar a pé enxuto o rio Jordão. Também ali, os homens que nasceram no deserto foram circuncidados e o povo participou da páscoa. Gilgal era o santuário que proclamava a herança e a posse da terra prometida de acordo com a vontade de Deus.

c) Berseba: Abraão fez aliança com Abimeleque e invocou o nome do Senhor. Abimeleque disse a Abraão: “Deus é contigo em tudo o que fazes” (Gn. 21.22).

Deus não deseja que o povo procure mecanicamente os lugares de culto, por eles mesmos corrompidos, mas que o busque, para que tenham vida. Buscar a Deus é o oposto a meras peregrinações a lugares sagrados, a santuários como em Betel, Gilgal ou Berseba; estes santuários juntamente com o povo estavam sob julgamento.

Por causa de seus pecados, Israel seria destruído, sendo levado cativo. Israel deve se preparar para se encontrar com o Senhor, e prestar contas a ele. No entanto, a mensagem de Deus permanecia até o último instante conclamando o povo a uma atitude de arrependimento e de busca de Deus. A única solução para Israel estava na proclamação de Amós: “Buscai ao Senhor e vivei” (Am. 5.6).

É necessário que não permitamos que uma religiosidade estereotipada caracterize a nossa vida; Deus deseja não que cumpramos simplesmente rituais; ele quer que o busquemos. Os ritos só têm valor quando realizados conforme a palavra e com sinceridade. A nossa única chance real de salvação é buscar a Deus.

sábado, 15 de agosto de 2009

O Melhor Amigo

"O justo olha pela vida dos seus animais; porém as entranhas dos ímpios são crueis". Provérbios 12:10

As 95 Teses de Martinho Lutero

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé.
Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue.
Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.
2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.
3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.
4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.
5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.
6ª Tese
O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.
7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.
8ª Tese
Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.
9ª Tese
Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema
10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese
Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.
12ª Tese
Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.
13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.
14ª Tese
Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.
17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.
18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese
Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.
20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.
21ª Tese
Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.
22ª Tese
Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.
23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.
24ª Tese
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
28ª Tese
Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.
30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese
Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.
33ª Tese
Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.
35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese
Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.
37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese
Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.
39ª Tese
É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.
41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.
44ª Tese
Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.
46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada
48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.
49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.
52º Tese
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.
53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.
54ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese
Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.
57ª Tese
Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.
58ª Tese
Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.
59ª Tese
São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese
Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.
62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.
65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese
As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.
68ª Tese
Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-
70ª Tese
Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.
71ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.
72ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.
75ª Tese
Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.
78 ª Tese
Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.
77ª Tese
Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.
78ª Tese
Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.
79ª Tese
Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.
81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.
82 ª Tese
Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?
83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?
84ª Tese
Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?
85ª Tese
Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?
86ª Tese
Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?
87ª Tese
Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?
88ª Tese
Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.
89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?
90ª Tese
Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese
Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.
93ª Tese
Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.
94ª Tese
Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.
95ª Tese
E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Método Indutivo de Estudo da Bíblia

Caso haja um desejo intrinsíco do leitor para entender a Palavra de Deus por si mesmo, analisando-a dentro de suas próprias possibilidades hermenêuticas, se habita o sentimento de fazer algo mais além de simplesmente ler a Bíblia ano após ano e supostamente interpretá-la de acordo com os comentários de outras pensadores... Este é o método certo para o trabalhador intelectual.

O método indutivo de estudo da Bíblia é o único do gênero. Este método foi concebido para que o leitor tenha uma interação profunda com a Palavra de Deus. Com o método indutivo, você mesmo será o autor das notas de estudo.

Imagine a terra de Israel, mas ao invés de estar desfrutando a beleza de sua criação, você está apenas olhando para um cartão postal e dizendo: Ah! Agora eu conheço a terra de Israel. Por incrível que pareça é desta maneira que muitas pessoas estudam a palavra de Deus. Elas lêem comentários, estudam artigos, consultam especialistas, quando poderiam estar explorando as escrituras pôr si mesmas, aprendendo com entusiasmo de uma forma tal, que mudaria suas vidas.

O método indutivo de estudo da Bíblia proporciona este deleite. É um método de estudo pessoal, que tem como objetivo desenvolver o aprendizado de uma maneira eficaz e profunda, fazendo o amante da palavra discernir o significado de tudo aquilo que se está estudando, com o objetivo claro de poder aplicar a sua própria vida.

Se você quer conhecer a Deus tendo um relacionamento profundo e significativo com Jesus Cristo, e quer viver uma vida cristã com fidelidade, sabendo o que Deus quer para sua vida, você precisa mais do que ler a Bíblia ou estudar o que outra pessoa tem a dizer sobre ela. É mister interagir com a santa palavra de Deus pessoalmente, absorvendo a sua mensagem e permitindo que Deus possa gravar as suas verdades em seu coração, em sua mente e em sua vida.

O objetivo principal do método indutivo de estudo bíblico é conhecer a verdade pessoalmente, discernindo o que ela significa e aplicando esta verdade a vida do indivíduo.

Características do Método Indutivo

-Convite à Ação: Você dará instruções específicas sobre cada livro da Bíblia. Ao segui-las, você entrará diretamente no processo do estudo indutivo.

-Convite à Reflexão: Você fará ao texto perguntas que o levarão a pensar com profundidade, colocando-o em contato com as principais verdades e ensinos de cada livro.

-Visão Panorâmica: Faça sempre o resumo esboçado que o ajudará a memorizar o tema, o propósito e a estrutura de cada livro.

-Mapas e Quadros Históricos: Consulte estes subsídios para o estudo da Bíblia.

-Notas: Relacione fatos interessantes acerca da história, da cultura, dos relacionamentos familiares e dos costumes nos tempos bíblicos.

-Quadros temáticos: Elabore-os com o objetivo de proporcionar uma visão mais abrangente da Palavra de Deus.

-Ilustrações, Cronografias e Mapas: Você poderá criar diversos recursos visuais para uma compreensão mais rápida dos principais acontecimentos históricos e da vida espiritual do povo escolhido de Deus, no contexto da história do mundo.